Membranas acrílicas e cimentícias: quando aplicar

Escolha correta do sistema influencia desempenho e vida útil da obra

Por Conexão Construção 14/01/2026 - 08:38 hs
Foto: Soprema

A impermeabilização é uma das etapas mais importantes para a durabilidade das edificações, e a definição do sistema adequado deve considerar as características de cada área da obra. Entre as soluções mais utilizadas estão as membranas acrílicas e as cimentícias, que possuem funções distintas e não são intercambiáveis. A escolha incorreta pode resultar em falhas precoces e necessidade de retrabalhos.

De acordo com Ricardo Faria, gerente técnico do Grupo Soprema, o primeiro passo é compreender o comportamento da área a ser impermeabilizada. “Cada sistema responde de forma diferente às solicitações do ambiente, como exposição ao sol, movimentação estrutural, presença constante de água ou pressão hidrostática. Entender essas condições é essencial para definir a solução mais adequada”, afirma.


Diferenças de desempenho e aplicação

As membranas acrílicas são aplicadas a frio, geralmente como pintura, e formam uma camada flexível após a cura. Elas são indicadas principalmente para áreas externas expostas, como lajes sem trânsito, fachadas, telhados e coberturas, desde que não estejam submetidas à imersão permanente de água. “Por serem flexíveis e resistentes aos raios UV, as membranas acrílicas se adaptam bem a superfícies que sofrem variações térmicas”, explica Faria.

Já as impermeabilizações cimentícias têm como base o cimento e são mais indicadas para áreas internas ou enterradas, como reservatórios, piscinas, subsolos, poços de elevador e estruturas em contato direto com o solo. Esse tipo de sistema apresenta boa resistência à pressão positiva e negativa da água. “As soluções cimentícias trabalham bem em locais com presença constante de umidade, mas, em geral, possuem menor capacidade de alongamento, o que exige atenção especial em áreas sujeitas a movimentações”, ressalta o especialista.

Outro ponto relevante é o preparo do substrato e o cumprimento rigoroso das recomendações de aplicação. Tanto os sistemas acrílicos quanto os cimentícios dependem de bases bem preparadas, limpas e estáveis, além do respeito aos tempos de cura. A negligência nessas etapas compromete o desempenho, independentemente da tecnologia utilizada.

Para o especialista, a decisão entre uma membrana acrílica ou cimentícia deve sempre partir de um projeto de impermeabilização bem definido. “Não se trata de escolher o produto mais conhecido ou mais acessível, mas o mais adequado para cada situação. Quando o sistema correto é aplicado da forma correta, a impermeabilização cumpre seu papel de proteger a estrutura e reduzir custos de manutenção ao longo do tempo”, conclui.